Arquivo mensal: fevereiro 2011

Mean Meaning of Stuff (Parte 1)

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Hoje, no nosso clube da luluzinha, o tema muitas vezes citados foi o da maturidade. E eu fiquei matutando sobre o assunto até essas altas horas quando resolvi matutar na forma de um post aqui no Casa. Eu acho, e isso irá se repetir em outros assuntos adiante, que o significado das coisas anda sendo perdido no mundo de hoje. Nunca antes na história desse mundo (Lula style) as pessoas analisaram umas às outras e se auto analisaram tanto e parece que isso só diminuiu o sentido de tudo. Amadurecer, por exemplo, eu vejo que muita gente não sabe direito o que é isso e como isso funciona.

Amadurecimento e quase tudo (tipo 99,5%) nas nossas vidas são parte de um processo e um processo tem como ingredientes cruciais o tempo e o ambiente. Tornar-se maduro, todos vocês aqui sabem, não é algo que acontece da noite para o dia e muito menos é uma convenção de comportamentos e pensamentos. Mas, eu vejo que a maioria das pessoas agem como se fosse exatamente isso. Deixando aqui claro que não estou criticando o modo de pensar de ninguém do meu clubinho, ninguém chegou a filosofar sobre o assunto para eu saber quais são as opiniões em questão, mas, eu percebo isso no geral das pessoas. Talvez a maioria não pare para pensar.

Primeira coisa: Amadurecer não é algo divertido que todo mundo morre de vontade de fazer. Embora também não seja algo horrível como muitos peter pans acreditem, implica em você ter controle da sua própria vida e isso é uma coisa tão linda que religiões dizem que foi o maior presente que Deus nos deu (livre arbítrio pra quem ainda não pegou a dica). Porém, vem com um preço grande que a maioria de nós prefere não pagar. Amadurecendo a gente aprende que a vida requer sacrifícios, esforços, disciplina, trabalho, um monte de coisa que é o oposto da vida infantil. Pra piorar um pouco mais a situação do homo sapiens sapiens moderno, são coisas cada vez mais distantes da vida infantil moderna e que esperamos cada vez mais para ensinar aos nossos filhos.

Segundo: Você acaba de amadurecer quando você começa a apodrecer. Horrível isso, mas é o fato. Então, vamos parar de amadurecer quando nossos cérebros começarem a se degenerar e, o que é pior (ou melhor, questão de ponto de vista), partes nossas apodrecem bem mais rápido que outras o que implica que o início do maravilhoso processo de degeneração não quer dizer que o fabuloso processo de amadurecimento terminou. Então, nenhuma das lindas e magnânimas pessoas que se consideram muito maduras são maduras completamente, e muito menos sábias.

Terceiro: o amadurecimento do psicológico humano é um processo complexo que é bem diferente do amadurecimento de uma fruta, por exemplo. Tem gente que é obrigado a amadurecer quando deveria estar verdinho, tem gente que retrocede, tem gente que apodrece rápido, depois regenera, fica verde, amadurece de novo. E o que é mais importante: Amadurecimento requer tempo, espaço e desafios. Ninguém chega aos vinte e quase sei lá quantos anos e magicamente começa a pensar como um jovem adulto. Se sua vida, seu ambiente, as pessoas ao seu redor, não lhe trazem desafios, experiências diferentes, o ser humano não tem o que mudar. Nós temos um organismo lindo e econômico regido pelo processo de adaptação, que não vai mudar o comportamento e a forma de pensar simplesmente porque tem xis anos ou alguém ditou que ele precisa.

Eu já vi diversas pessoas exigindo um comportamento de outra pessoa sem lhe dar o mínimo espaço para que ela sequer precise ter esse comportamento, quanto mais para aprende-lo, aceita-lo ou rejeita-lo. Pais que querem que os filhos saibam agir perante uma situação sem que eles a enfrentem de verdade, resolvendo todos os seus problemas e, lá na frente, esperando que eles tenham aprendido a resolver problemas apenas por observar. A observação é muito importante no aprendizado, mas não é a única coisa. Precisamos de prática, de confiança nas nossas habilidades e de liberdade para construirmos a nossa forma de resolução de problemas.

O ditado diz que a necessidade faz o sapo pular, e isso implica que também o faz crescer. É completamente fútil que você espere, até mesmo de você mesmo, um comportamento que não tem tanta importância na sua vida, no seu contexto. Eu vou usar um exemplo bem simples, quase imbecil: Eu e a luta com as agendas. Eu sempre comprei agenda, todo ano, desde, sei lá, 1995. No começo elas eram apenas diários, mas, na adolescência eu já comecei a querer organizar minha vida através delas. Nunca consegui. Eu começava colocando as coisas que eu tinha que fazer lá e não fazia nenhuma. Tentei google agenda, tentei agenda de celular, tentei agenda grande, agenda pequena, agenda bonita, agenda feia. Precisava de uma agenda para me lembrar de abrir a agenda. Colocava um bando de tarefas que não pretendia, de verdade, cumprir.  A pobre da agenda, bonita e que eu gostava tanto no começo do ano, virava um pequeno objeto de tortura e frustração e era logo abandonada. Achei que eu não era do tipo de agenda, o que era uma pena, porque minha memória e minha capacidade de distração é imensa.

Aí eu comecei a trabalhar. Hoje em dia, minha agenda está sempre aberta, sempre com as tarefas do dia (e umas outras que adiciono e apago ao longo do dia enquanto vou avaliando o que é possível fazer ou não) e um dos meus maiores prazeres é marcar uma tarefa completada. E por que só agora eu consegui? Porque agora é um comportamento útil na minha vida, que me traz prazer e eficiência no trabalho e não um hábito estranho, que eu tinha que aprender pra poder me disciplinar e me frustrar e encher em uma página todas as coisas que eu achava que eu devia fazer e que a verdade é que eu não devia. Ou melhor, não precisava.

Hábitos vão e hábitos vêm com dificuldade. Perder e adquirir um hábito é penoso, você precisa de contexto, de necessidade e de recompensa e essas são as coisas que a vida de uma pessoa precisa para amadurecer. Espaço para isso, ou seja, você precisa deixar a pessoa resolver os próprios problemas, não ficar lhe dando a solução o tempo inteiro, deixar que ela descubra na base da observação, memória e experiência. Você pode dar conselhos e pode interferir quando vê que algo está indo muito errado, isso faz parte do equilíbrio do espaço seguro pra deixar sua criança amadurecer (inclusive as de 40 anos). É necessário que ela sinta a necessidade de mudar seus hábitos, sua forma de pensar e de se comportar. Se uma criança continua ganhando tudo o que quer na base da birra, ela vai continuar dando birra pro resto da vida, mudando apenas as formas desse comportamento para aprimora-lo e não perde-lo.

Eu acho extremamente interessante como as pessoas podem ser maduras em algumas coisas e totalmente imaturas em outras. Isso é até bastante comum e bem óbvio. Algumas pessoas, por terem talentos intelectuais amadurecem sua forma de pensar, de resolver problemas teóricos mas não se dão tempo ou espaço para amadurecerem emocionalmente e vice-versa dentre outras variações.

Eu, por exemplo, acredito que tenho um intelectual bem maduro e, modéstia à parte, acho que vejo o mundo de uma forma diferente por causa disso. Emocionalmente, eu sou um caos, nem totalmente imatura, nem muito madura. No meu comportamento com as pessoas, com a experiência, eu ainda sou bastante infantil desde os hábitos mais sutis como, sei lá, o jeito que eu pisco os olhos, até minha voz, até algumas reações mais complexas. Eu até hoje acho que não preciso amadurecer totalmente nos modos convencionais. Acho que vou morrer pensando assim. Enquanto não sentir verdadeira necessidade de mudar alguns dos meus comportamentos, não vejo porque muda-los. Em outras coisas, infelizmente, venho tendo o dilema da agenda até hoje: querendo adquirir hábitos que não encontram contexto na minha vida, nem espaço, nem me dão recompensas.

Um dos motivos que eu quero ir pro Canadá, morar no exterior, longe de tudo que sou acostumada, é para me obrigar a mudar coisas que eu sempre quis mudar em mim e que hoje em dia até provocam dor. Eu tenho hábitos nocivos, paralisantes, que me impedem ou me dificultam muito, a conquistar coisas que quero pra mim e coisas que acredito que preciso, sonhos de infância. E já há um tempo eu percebi que nunca tive o espaço e a necessidade verdadeira, real, para adquiri-las. Ficando longe da família e em uma cultura que valoriza mais o trabalho e o individual, sem o assistencialismo (no sentido de ajudar aqueles ao meu redor) e a generosidade inerente da cultura em que eu vivo (e que são características que eu admiro, por sinal) e com todo o espaço do mundo pra experimentar, além dos vários desafios, acredito que vou me transformar em uma pessoa melhor, como já me transformei em outras ocasiões.

E por que será que essa incapacidade de amadurecer anda tão exarcebada nas pessoas de ultimamente? Aqui eu fecho um assunto fazendo a ligação entre o título do post e um tema que eu quero tratar em outros textos: Acho que cada vez mais perdemos o significado das coisas. Não sabemos mais o que significa amadurecer, não damos mais importância aos rituais sociais, nem às idades, nem às gerações. Eu vejo isso como uma “doença” da nossa sociedade, no sentido que nos traz um mal absurdo, entre eles o Mal do Século, a depressão, nossa velha conhecida; mas também vejo como um mal necessário, um mal sintomático da mudança total que nossa sociedade vem passando nos dois últimos séculos, em velocidades cada vez mais assustadoras. Desde o século XIX nossa sociedade passa por transformações gigantescas. Antes tudo mudava em 50 anos, e isso já era rápido porque nos outros séculos demorava umas três gerações. De repente, já mudava muito em décadas, depois em anos, hoje em dia, a gente não sabe mais.

Antes nós tínhamos rituais, ritos de passagens, convenções. Todo mundo sabia que curso seguir. Então, amadurecer era um comportamento fixo e previsível. Embora não seja da natureza do processo psicológico ser tão simples e linear, a sociedade o moldava para que assim o fosse. Hoje em dia, um casamento é uma festa qualquer, uma simples celebração da paixão entre duas pessoas, e não o compromisso, a união, a promessa de dividirem uma vida e se ajudarem, a afirmação perante toda a sociedade do amor entre duas pessoas e do seu compromisso em fazerem uma vida juntos. Ou seja lá qual fosse o significado do casamento em outras épocas (aliança política, negócio, obrigação de se formar uma família). Por isso as pessoas embarcam em casamentos e em divórcios com maior facilidade.

E isso inclui um monte de coisas. É o preço da liberdade. O dilema da infelicidade que as escolhas nos trazem. Eu sou parte dessa onda e uma das maiores críticas. Ao mesmo tempo iconoclasta e uma pessoa pró-magia. Mas, isso é para uma outra hora.

Depression Diaries 9

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Olá amigos e amigas, hoje é quarta-feira, então meu humor está melhorzinho, mas eu tive crise de choro ontem à noite, então, vai entender, não é mesmo?

 

 

Estava eu relendo meus Depression Diaries e vendo o quão bonito foi meu objetivo de escrever sobre o tema para colocar as coisas pra fora e documentar meus ciclos. Então, acredito que a falta de posts seja também uma documentação do meu ciclo. Afinal, eu sempre começo algo e depois abandono. E, quem sabe, volto.

 

Este é um dos motivos pelo qual eu tenho preguiça de tentar algumas vezes. Eu vou abandonar mesmo, não é? Nestes últimos diasestou matutando sobre o que eu posso fazer, o que eu posso mudar para manter algo, manter um projeto, manter um compromisso, por um período mais longo. Uma das coisas que apontem como, no mínimo, curiosa: Se eu penso em projetos de longo prazo, eu sinto algo que nós, goianos, chamamos carinhosamente de “trem ruim”. No mínimo, curioso. A pessoa tem um tipo de pavor, mesmo que passe bem rápido pela minha consciência, de projetos que demandem muito tempo.

É como, mais uma vez eu falo isso, um tipo de prisão. Uma espécie de condenação que vai me dizer: Aha! Disso você vai demorar um tempão pra ficar livre, vai ficar muito tempo sem poder fugir para as Índias ou entrar para uma companhia de teatro.

Eu fico meio abismada comigo mesma. No fundo, eu não faço muita coisa porque a maioria do que vale a pena, é a longo prazo.

Anyways… Parado meu tratamento de acupuntura e, no momento, sem poder pagar a yoga e com meu terapeuta estudando na Índia até final de Fevereiro, encontro-me eu aqui, reavaliando minha retomada do tratamento. Eu não ando com vontade de tomar remédio, mas de tentar a acupuntura mais uma vez, ou ao menos juntar os dois. Amanhã é um dia auspicioso pois eu vou conseguir o nome de um acupunturista que pode me ajudar e vou ter dinheiro pra pagar a yoga e voltar a me pendurar de cabeça pra baixo umas duas vezes por semana,  o que é uma delícia.

Outra coisa curiosa: Eu, que não andava mais tendo contato com nada além do reino do concretíssimo e banal, ando sonhando muito e lembrando. Na maioria das vezes pesadelos, mas, depois que acordo, vindo o alívio de que eu só estava sonhando, eles me deixam mais intrigada do que perturbada. Parece que as engrenagens do subconsciente estão espalhando a poeira e começando a funcionar. Talvez alguma coisa esteja mudando, naquele ritmo devagar e impossível de parar que minhas mudanças costumam ocorrer.

Eu agradeço muito. Meus processos de mudança são lentos, dolorosos, mas eu prefiro do que ficar paralisada numa situação só.