Depression Diaries 8 – Atualizações

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Olá pessoas, tudo bem?

Estou eu aqui fazendo planos e mais planos e incluindo esse blog neles. Eu sei, eu sei, eu faço isso muitas vezes e poucas vezes cumpro, mas, lembrem-se, o segredo não é desistir da promessa e sim cumpri-la 😉

Bem, sumi, eu sei. Última vez que ouviram falar de mim eu estava em crise de ansiedade brava por mais de 24 horas, começando a yoga e a acupuntura. Ainda no buraco e sofrendo. Fiquei sem escrever aqui, mas sempre abrindo um post novo e nunca conseguindo escrever mais de uma linha. Bloqueios? Não, falta do que dizer, mesmo. Mas, hoje…

E hoje, Luana?

Bem, hoje eu estou nas minhas condições normais de temperatura e pressão, fora do buraco, não totalmente feliz e com tudo certo e maravilhoso na vida, mas, sinceramente, feliz. Feliz, porque não estou naquele estado horroroso mais e, hoje em dia, meu medo é voltar. Estando eu no meu normal, posso me concentrar mais em mudar a vida do que em simplesmente sair do buraco.

E como foi que eu, de uma hora pra outra, fiquei bem?

Vamos por partes então, que o assunto é delicado. Primeiro, de uma hora pra outra meu nariz. Estou, desde que voltei pra Goiânia, em uma rotina de tratamento em que meu mundo é só isso:    ficar melhorficarmelhorficarmelhorficarmelhor. Minha mãe veio me ajudar, minha irmã me ajuda, meu pai me ajuda, yoga, acupuntura, terapia (e meu terapeuta é muito bom), exercícios matinais, remédios, etc.

Segundo, e que me levou a meu atual estado de leitura e pesquisa, e de pré-comprometimento (porque quem lê esse blog sabe que comprometimento é uma coisa meio estranha pra mim, precisa de preparação) com métodos de respiração, meditação e exercícios, e,estados alterados de consciência.

Isso não é novo pra mim (eu sei, eu pulei a conclusão do parágrafo anterior), nem tabu. Antes já tive esse tipo de curiosidade e já li livros sobre os benefícios dos estados alterados de consciência, de experiências psicodélicas…

Mas, nada te toca mais do que algo que realmente te toca. E eu, sim, tive uma experiência dessas. Foi boa, foi ótima. Não, não vi passarinho verde, nem rodas multicoloridas, nem índios pelados no deserto. Eu tive uma experiência extremamente sensorial, de percepção de luz, profundidade, meu próprio corpo, cores, respiração e, claro, o que faltava na minha vida no sentido mais neurológico (falta de serotonina e endorfina): Prazer.

A imagem que eu tenho, agora que o ciclo foi concluído, é que eu estava em um buraco, arranhando, escalando, olhando pra cima, desesperada pra sair daquele estado e, tendo subido um pouco sozinha, e estando com a cabeça decidida em sair, fui chutada pra fora.

O ácido veio e me deu uma bicuda. Forte. Bonita.

Por uns cinco dias, eu fiquei “nas nuvens”. Em estado sonhador e delirante? Não (essa é minha CNTP). Em estado de energia, sem as dores de tensões nos ombros, sem problemas pra respirar, com disposição pra fazer o que eu queria e, o que eu mais lembro, com grande alegria: Sem ruído nos meus pensamentos. Sem aquela fofoca mental que acontece que tanto me esgota, aquele pelotão de dúvidas e recriminações que eu fico o tempo todo repetindo pra mim mesma que é tudo ruído, tudo ilusão.

Desculpa quem é contra esse tipo de experiência, e, lembre-se não estou falando do momento da “viagem” em si, mas o pós. Aquilo sim é estar vivo, aquilo sim é realidade. Ilusão é essa neurose, esse sofrimento chato, essa obsessão de “verdades” que só são “verdades” porque a gente acredita fervorosamente nelas. Eu me sentia fluindo, agindo, não-agindo, naturalmente, sem barreiras imaginárias, sem esgotamento de energia por fazer tão pouco.

Minha cabeça estava clara, meus chackras limpos, minha energia fluindo e o prazer, de volta ao meu corpo.

Em uma linguagem mais ocidental e menos new age: A serotonina foi bastante excitada no meu cérebro, meus sentidos ficaram todos diferentes e, por um tempo, eu continuei sentindo o efeito benéfico dessa experiência.

Voltando pra imagem simbólica que tinha começado: Estava eu no buraco, fui chutada, passei um tempo voando, feliz, e pousei no chão.

Hoje estou aqui, como antes desse drama todo. Como todo mundo, tenho meus dias bons e meus dias ruins e, como antes, ainda estou insatisfeita com comportamentos que tenho que alimentam a depressão e a frustração que sinto na minha vida, de tempos em tempos. Mas, não estou mais em crise, não estou mais tendo pânico na rua, nem chorando de cansaço por tão pouco. Continuo tomando remédio. Não mais pra dormir, e troquei de anti-depressivo, não para um mais forte, mas, diferente (paroxetina), para que eu não me “acomode”. Minha psiquiatra disse que eu ainda tenho que me voltar mais para os meus projetos e os meus prazeres, e, confesso, não estou.

O trabalho está ótimo. Como todo bom trabalho, dias cheios, dias vazios, dias bons, dias ruins. No momento “nas nuvens”, havia uma satisfação genuína, baseada em fatos, como se eu estivesse profundamente grata pela sorte que eu tenho. Ainda sei disso racionalmente, mas não sinto mais como antes.

Mas, acho, que é o normal, e o esperado. Eu tenho muitas coisas pra buscar, e meu nível de insatisfação é o que considero saudável para uma pessoa com a minha idade, educação e ambição.

Ando um pouco “magoada”, porque, usando a metáfora do meu terapeuta, eu tinha entrado em uma festa sem ser convidada, e depois fui, sem cerimônias, jogada pra fora dela. Eu quero entrar na festa de novo, convidada. De honra.

Isso quer dizer que eu vou virar drogada? Não. Não acho que o segredo da felicidade é estar constantemente em uma viagem de ácido. Ainda mais porque essas drogas têm um funcionamento não muito previsível. Não sou expert em psicofarmacologia, mas sei que, por exemplo, o LSD às vezes excita os receptores de serotonina, às vezes suprime.

Me disseram que, se você se sente bem em uma viagem de ácido, ou experiência psicodélica, é porque você tem boas energias em você, ou pelo menos está focada nelas. Quando existe muita coisa ruim e reprimida te atormentando, você vai ter uma das famosas bad trips e, sinceramente, é tão real quanto qualquer outra experiência que você tenha. Você se lembra de tudo, você tem noção do que está acontecendo, você vai se lembrar. Pior: seus sentidos estão todos aumentados. É tudo bem intenso.

Eu tive uma experiência boa. Lugar, pessoa, sensações,  mas, sei que não é sempre assim.

Também tenho, hoje, uma noção de que eu não sou o melhor sujeito para arriscar demais em experiências psicodélicas imediatas, através de pílulas, sem guias, sem exercício. Posso elaborar isso depois, mas eu tenho um núcleo esquizóide forte, o que pode fazer essas experiências, quando mal orientadas, ou quando forem bad trips, ou alucinógenas demais, muito contraproducente para meu tratamento e todos os objetivos que estou traçando pra mim.

Talvez eu fosse para lala land e nunca mais voltasse. De vez em quando é bem sedutor, admito.

O que eu quero, a partir de hoje, é voltar meus estudos e práticas de antigamente. Comprometer com a Yoga, meditar, alinhar meus chackras e minhas ondas cerebrais, para que eu me sinta tão integrada como naquele momento “pós” e cada vez mais empoderada (palavra de psicólogo), com cada vez mais controle da minha vida, mente e corpo.

E sem esse sofrimento todo.

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  1. Hey mylady Red and Golden.

    Fiquei muito feliz, primeiro em saber que você está se sentindo melhor e mais cheia de energia, e segundo ao ler sua experiência. Acho que temos um bocado pra conversar. Entendo muitas coisas do que vc falou por conta dos meus dias de Ayahuasca.

    Mas não é só isso. Temos que conversar mesmo. Sinto sua falta.
    Se você não aparecer por aqui, vou ter que pegar um busú pra Goiânia pra ir aí colocar o papo em dia.

    Em suma…
    Que os Deuses te abençoem.
    Bjos do Dragão Feérico que esquece que é Dragão, e que é Feérico.

    • Oi Dudu! Saudades também. Eu ia praí esse fim de semana, deixei de ir porque ia cuidar de Biscoito, ele morreu na sexta e eu fiquei tristinha demais pra pensar em correr pra rodô. Fim de semana que vem meu pai tá aqui, então meio que vai depender dos planos dele, se não tiver nada marcado, pretendo dar um pulo aí. Não deixo de te ligar próxima vez que for aí, ok?

      Beijos vermelhos e dourados

      • Oi Lory!

        Você fez bem em ficar pra cuidar do Biscoito. Mesmo ele tendo ido tão cedo, tenho certeza que sua ação gerou coisas boas no sonhar.

        Espero que você consiga vir no próximo final de semana. Se aparecer por Brasília liga sim. Sinto sua falta.

        Beijos draco-feéricos.

  2. oi,
    Diretamente de uma casa portuguesa, com certeza…
    Lulu!
    A D O R E I os posts. Brevemente , outro blog pra você sondar, sorver, sorvete!
    Não sei se entendi bem, mas , é o que estou a pensar? De qualuer forma, mesmo não sendo, ri muito…..;)
    beijinhos,L

  3. Pingback: Os números de 2010 « Casa de Espeto

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